Dia 10 – Beira da Estrada, Rio Grande e muito, muito vento

Tivemos uma excelente noite de sono em Tolhuin, dorminos na Panaderia La Union totalmente grátis. É o maior prédio da cidade, uma padaria em que o dono cedeu o andar de cima para viajantes de todo o mundo. Lá conversamos com alemães, argentinos, sul coreanos e americanos. Entre as varias historias tem a do Andrew que aos 19 anos de idade após sair do colégio resolveu cair na estrada e em 5 meses chegou de Minessota até Ushuaia de bicicleta, quase 150km pedalados todos os dias, ele me contou que em toda a sua viagem eu sou a pessoa mais nova fazendo uma cicloviagem que ele já conheceu. Seu grupo no facebook é o http://www.facebook.com/group.php?gid=157084847420, a melhor parte da conversa foi a discussão entre a história do Pescador e o Homem de Negócios. É impressionante como quase todos esses viajantes sobrevivem com muito pouco dinheiro e montam estratégias para que quando a fonte estiver secando estejam proximos a alguma cidade ondem podem arranjar qualquer trabalho temporario, fazer mais dinheiro e continuar viajando, o alemão da foto ao lado esta à 5 anos na estrada.

Após fazermos o mercado (molho, atum, macarrão, alho, cebola, maçãs) saímos. 115km nos separavam de Rio Grande e na metade do caminho resolvemos parar e fazer um acampamento na beira da estrada com direito a fogueira tão recomendada pelos amigos alemães e argentinos. Nesse trajeto vimos muitos Guanacos, Vacas, Patos e Ovelhas. É incrível o tamanho dos pastos aqui. Se pedalam por quilometros e quilometros até chegar a uma estância (fazenda).

Depois de montar o camping fiz um “macarrão a lenha”, demos um jeito de encaixar as panelas em cima da madeira e cozinhar tudo. Ficou particularmente divino (ou era a fome mesmo), matamos mais uma garrafa de vinho (peso obrigatório na bagagem que já soma quase 50kg).

A quantidade de veículos nesse trecho da Ruta 3 é muito baixo, portanto a noite foi muito tranquila.

Acordamos 10:30, preparamos o café e pedalamos por mais uns 30 km até avistarmos pela primeira vez o Oceano Atlântico, os ventos vindos do oeste foram a pior parte do trajeto mas o dia estava lindo e ouso dizer que esta foi a paisagem mais bonita que eu já ví em toda a minha vida.

No meio do caminho mais um cicloturista, já somamos 10 loucos pela Patagônia. Desta vez um engenheiro japonês, largou tudo no Japão para descer do Alaska a Ushuaia de bicicleta. Esta a 10 meses na estrada e depois começará a subir rumo ao Brasil, completando um tipo de V na América do Sul.

Chegamos ontem as 18:00 em Rio Gallegos, achamos um albergue que aceita barracas por 30 pesos com café da manhã, ainda fomos recebidos em português. Um brasileiro chamado José esta trabalhando aqui já fazem alguns meses, ele é quimico mestrado pela USP e esta fugindo um pouco da loucura de São Paulo. O albergue se chama Hostel Argentino, recomendado!

Aproveitamos que esta é uma cidade grande (maior que Ushuaia, por volta de 80.000 habitantes) para dar uma geral na roupa, lavamos quase todas as peças de roupas por 6 pesos. Hoje descansaremos e amanhã seguimos para San Sebastian, enfretar muito rípio (disseram que este trecho é o pior de todos).

Abaixo algumas fotos.

Dia 7 – 198 km – Lago Escondido, Tolhuin e muita hospitalidade

Passamos mais tempo do que esperavamos em Ushuaia, mas tudo bem, a cidade é maravilhosa e a conhecemos de ponta a ponta. A cada minuto que passa ficamos muito felizes com a hospitalidade do povo Argentino. Dia 17 fomos ao Glaciar Perito Moreno já no final da tarde e tivemos o prazer de conhecer o Jorge, segurança noturno do parque que gentilmente ao pedirmos água nos convidou ao abrigo onde pudemos tomar um bom café e conversar desde a economia da Argentina às praias brasileiras.

No outro dia uma surpresa, chegaram 5 cicloturistas. Um casal de ingleses, um americano e um casal de canadenses que sairam de sua casa no Canada e não pararam de pedalar por 2 anos e meio, haviam acabado de chegar em seu destino final. Eles nos ajudaram bastante dando muitas dicas sobre como operar os nossos fogareiros e sobre o caminho que enfretaremos pela frente, afinal, ninguem melhor que eles para dizer.

Então ontem saímos rumo ao Lago Escondido, pedalamos por 70 km +- do camping municipal de Ushuaia (próximo ao Trem do Fim do Mundo) até um lugar seguro para dormir. Enfrentamos muito vento vindo do norte para o sul, desfavorecendo muito a pedalada, e no meio do caminho o nosso primeiro Paso, o Paso Garibaldi. Subir 500m com 50kg de equipo, vento em alta velocidade vindo na sua cara não foi facil mas chegar ao topo é uma sensação indescritivel. Logo a nossa frente a maravilhosa paisagem do Lago Escondido, com a força do vento a chuva logo se transformava em pedrinhas de gelo que batiam com força em nossos anoraks e tivemos que descer rapidamente, digo que nunca senti tanto frio na minha vida. As roupas estavam suadas e a descida demorou longos 30 minutos. Se alguem quer testar alguma roupa de frio, o Paso Garibaldi é o cara.

Após a descida encostamos em um posto policial onde pudemos maisu ma vez provar da hospitalidade argentina, um oficial chamado Harrington logo abriu a porta e nos convidou para entrar. Fomos recebidos com café com leite, tortas fritas e pão negro com doce de abóbora (vejam as fotos), como estava tarde perguntamos se havia algum lugar para colocarmos as barracas e acampar, ele nos explicou que não poderia nos deixar dormir perto do posto policial mas que logo adiante havia uma casa da Defesa Civil que com certeza nos hospedaria. Dito e feito, pedalamos mais 1 ou 2 km até encontrar o local, logo o Adrian nos convidou para entrar e nos mostrou uma casa em construção que poderiamos colocar as bicicletas e os sacos de dormir (fotos abaixo).

Hoje de manhã nos despedimos e o Adrian pediu para assinarmos um livro de visitas, folheando o tal livro vimos dezenas de assinaturas inclusive a do Fábio Zander que em 2000 fez a Pedalada del Fuego descrita no livro do mesmo nome (que comprei em uma de suas palestras, na dedicatória ele escreveu “Que este livro te ajude a pedalar por aí”, realmente ajudou).

Vindo a Tolhuin mais três cicloturistas (todos vindo rumo sul), entre eles David que saiu de Minessota faz 1 ano e esta descendo até Ushuaia, depois daqui para onde ele vai? Para a Africa, cruza-la de ponta a ponta. Que inveja!

Agora estamos na Panadaria La Union em Tolhuin, aqui eles hospedam de graça cicloturistas do mundo todo, com direito a banho quente e Wifi de graça.

Atualizei o album das favoritas no Flickr, que pode ser visto aqui: http://www.flickr.com/photos/leandrorepolho/sets/72157623427740886/

Abaixo seguem as fotos do post

Dia 2 – 21.4 km – Ushuaia

Cheguei! Ontem foi um dia cansativo. Acordei as 5:30, amarramos as bikes em cima do carro e partimos para guarulhos. Chegando lá, checkin, troca dinheiro, faz a triste despedida dos pais e embarca.

Nosso voo deu uma atrasada, chegamos as 8:30 em Ushuaia e começamos a bagunça, com direito a sujar a mão de graxa nos primeiros minutos em solo Argentino para colocar o cambio traseiro. Duas horas de arrumação depois, saimos a caça do tal camping La Pista del Andino, andamos 11km até acha-lo, meio longe do centro. No meio da noite acordei rangendo os dentes de frio, dormi só de calça e blusa de lão finissimas e o saco de dormir não foi tão eficiente quanto eu pensava. Portanto hoje fomos as compras, comprei um novo saco de dormir e um fogareiro Primus que queima combustiveis liquidos e a gas, top de linha por 800 pesos, um terço do preço do Brasil. Agora num café, tomando um chocolate quente e vendo as montanhas já cobertas de neve escrevo e deixo as fotos abaixo.

Sairemos depois de amanhã cedinho rumo ao Lago Escondido para fazer camping selvagem, 60km de pedalada com a bike toda carregada, pelo menos ainda não virá o ripio.

Seguem as fotos:

Dia -8 – Treinando

Semana retrasada fui diagnosticado com Dengue, o que me obrigou a ficar de molho, sem treinar para a viagem. Pois é, Terremotos no Chile e Dengue, tudo que eu precisava dias antes de começar minha viagem.

De qualquer forma, hoje voltei ao Pedal, 70km na imigrantes com direito a invadir o canteiro de obras do trecho sul do Rodo Anel ignorando as placas de “É proibido a entrada de pessoas estranhas a obra”. Como eu não me acho estranho, não tinha por que dar nada.

Muito tranquilo pedalar de segunda-feira, poucos carros na rodovia.

Ficam abaixo as fotos. Agradeço ao Klauss por ter topado acordar 6:15 da manhã para ir pedalar.

Nem tão sozinho assim

Desde que comecei a planejar a viagem tentei achar alguma companhia para fazer minha viagem. Sabia que seria tarefa dificil, afinal, não é em qualquer esquina que a gente acha alguém disposto a largar tudo, emprego, faculdade, família para viver uma aventura.

Mas hoje, meses após conceber a idéia da minha cicloviagem recebo uma feliz noticia de um colega da Bicicletada de São Paulo, ele vai comigo! Será só no começo, provavelmente no trajeto de Ushuaia até El Calafate, mas já esta de ótimo tamanho. Sua idéia é pedalar comigo, coletando o máximo de informações como fotos, vídeos para num futuro conseguir algum patrocínio e fazer uma cicloviagem maior.

Confesso que estava ficando muito ansioso em realizar a viagem sozinho, passou a ser um desejo, conquistar a Patagônia em um pedal solitário, mas agora vejo que será importante pelo menos começar com um companheiro. Afinal, nunca pedalei fora do Brasil e nunca fiz uma viagem tão longa em um lugar tão inóspito, sei que a presença de alguém trará companhia e mais segurança. Estou feliz!

Neste final de semana nos encontraremos para combinar os ajustes finais, comprar os equipos restantes e definir de vez o trajeto.

O Daniel fez um blog a parte para a viagem dele, vocês (três pessoas que entram no meu blog, rs) podem acompanhar acessando: http://bikestencil.blogspot.com/.

Abraços! Dia 15/03 esta chegando…

Morre em volta ao mundo o cicloturista “Valdo na Bike”

Em Março de 2009 Valdecir João Vieira (65) saiu de Joinville, SC para realizar o sonho de sua vida, dar a volta ao mundo de bicicleta pedindo paz ao mundo.

Nesta segunda-feira (01/03/2010) sua família recebeu uma triste noticia, após 11.502km pedalados, Valdo veio a falecer aparentemente de causas naturais dentro de sua barraca na região da Baja Califórnia, México.

Apesar de não conhece-lo pessoalmente, as informações e relatos cadastrados no site pessoal do Valdo (http://www.valdonabike.com) foram muito úteis para a minha preparação. Graças ao relato da Carretera Austral que ele disponibiliza neste link, pude mapear todos os pontos que vou passar em quanto estiver pedalando no Chile. Agradeço de coração o seu altruísmo e o parabenizo pela coragem e determinação. Sem dúvida uma fonte de inspiração para todos nós.

Segue abaixo a noticia disponibilizada pelo Jornal de Santa Catarina.

Familiares e amigos lamentam morte de ciclista de Joinville no México
Valdo queria dar a volta ao mundo de bicicleta

Familiares de Valdecir João Vieira, mais conhecido como Valdo, receberam nesta segunda-feira a notícia de que o aposentado de 65 anos havia morrido no México. Valdo saiu de Joinville em março do ano passado para dar a volta ao mundo de bicicleta. Ele teria sido encontrado morto, dentro de uma barraca, dia 24 de fevereiro. A suspeita é de que a morte tenha sido por causas naturais.

A família foi comunicada por uma mensagem no site onde o ciclista contava as experiências da viagem: http://valdonabike.com. Uma missa será celebrada nesta quarta-feira, às 19 horas, na Paróquia Santo Antônio, na zona Norte. Os parentes ainda não sabem se terão condições de financiar o translado do corpo para Joinville.

Fonte: http://www.clicrbs.com.br/especial/sc/jsc/19,0,2825400,Familiares-e-amigos-lamentam-morte-de-ciclista-de-Joinville-no-Mexico.html