Aquele souvenir furtado

Dia das crianças, 13 de outubro de 2013, faz sol e minha vontade é utilizar a ciclofaixa da cidade de São Paulo para pedalar até o Parque do Ibirapuera com minha noiva!

O relógio marca 12h na chegada ao parque, damos umas voltas até optarmos por amarrarmos nossa bicicletas com um cadeado grosso em um paraciclo do quiosque movimentado em frente ao Planetário do Ibirapuera.

A ideia era simples: Parar alguns minutos, verificar os horários de apresentação do Planetário, voltar às bikes e decidir se damos uma volta correndo ou pedalando pelo parque.

Mas para a nossa surpresa em exatos 2 minutos após amarrarmos as bikes caminharmos até a porta do planetário e olharmos para trás… Elas não estavam mais lá!

O primeiro pensamento é: Eu devo ter amarrado em outro lugar, estou ficando louco.

Depois cai a ficha e você se da conta: Fica bobo, atônito, se sente burro; Pensa: Puta que pariu você pedala a anos na terceira maior cidade do planeta, sabe que não pode deixar bikes em qualquer lugar afinal roubos de bike acontecem no mundo inteiro. Idiota!

Aí você corre, avisa a Guarda Civil, telefona para a PM, faz tudo ao seu alcance mas você já sabe… Dificilmente encontrará sua bike de novo.

Justo aquela bike… Aquele souvenir furtado que sempre te lembrava:

  • Da primeira vez que você pedalou 15km para chegar ao trabalho, suado, cansado e que fez cair a ficha de que você pode e DEVE utilizar meios de transporte sustentáveis para chegar ao seu trabalho.
  • Da sua primeira Bicicletada na Avenida Paulista, no coração da megalópole quando em 2008 não existia nenhum espaço para o ciclista. Mas lá você era o dono do pedaço, os carros já não te espremiam na calçada nem buzinavam. Naquele lugar em meio a 300 ciclistas frágeis todos se tornavam um só, muito maiores que qualquer veículo motorizado. Crescemos, mostrando ao governo que estávamos lá para ficar e ficamos!

 

  • Do seu primeiro pedal longo por um trajeto “proibido” até o litoral paulista, em baixo de chuva torrencial, em uma rota de manutenção da Ecovias que ainda nem se chamava Márcia Prado pois nossa colega ainda não havia sido assassinada por um motorista de ônibus que anda por aí impune.

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  • Da sua primeira cicloviagem. No Sul de Minas Gerais, lugar onde você ficou pela primeira vez em pousadas simples e descobriu que lá estão pessoas de coração gigante! O Caminho da Fé e seus quase 400 km de terrenos difíceis para por a fé de qualquer um a prova.

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  • Da compra do primeiro livro sobre bicicleta: No Guidão da Liberdade do Antonio Olinto.
  • Da palestras do Fábio Zander e Paulo Cunha sobre cruzar grandes distâncias em cima de uma bike, Patagônia e Nova Zelândia; Com direito a ganhar seu primeiro livro com dedicatória do autor.
  • De quando você tomou coragem, sentiu medo e ao mesmo tempo tesão em querer algo grande para si! Algo para chamar de seu e de mais ninguém, algo que eu pudesse levar até o fim da minha vida, mesmo que significasse largar o emprego, trancar faculdade, e pedir à pessoa amada para te esperar enquanto você se dedicava a conhecer um lugar apaixonante por sua natureza, beleza intocada, para absorver cada experiência ao passo devagar que só uma bicicleta pode proporcionar. Cruzar a Patagônia Argentina e Chilena em quase 3000km carregando tudo necessita para sobreviver: Barraca, fogareiro, água e comida.

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  • De quando você passou a evangelizar a bike, tentando convencer amigos a comprar bikes, deixarem seus carros em casa e mostra-los de que pedalar é preciso. Mesmo que isso custasse leva-los em viagens até a praia de forma muito, muito lenta, trocando seus pneus furados e arrumando correntes quebradas com um sorriso no rosto!
  • Da frustrada tentativa de cruzar Cuba com a bike

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  • De mudanças fundamentais em sua vida onde prioridades se tornariam: Conhecer, viajar, aprender e amar. Tudo isso da forma mais simples possível.

Não há duvidas de que fará falta!

Sempre imaginei que pregaria aquele quadro de bicicleta em uma parede, presenteando meu filho ou um sobrinho dizendo-o para dar de louco pelo menos uma vez na vida, largando tudo e indo atrás do que realmente acredita independente do que os outros vão pensar.

Mas o furto da minha lindíssima e eterna bike marca o inicio de um novo ciclo onde poderei renovar idéias, aprender a travar uma nova bicicleta com uma boa U-LOCK quando for necessário deixa-la sozinha 😉 e planejar novas viagens no futuro ao lado de quem eu amo, construindo novas histórias!

Dados das bicicletas furtadas no domingo (13 de Outubro de 2013) no Parque do Ibirapuera:

  • TREK 4300
  • Ano: 2008
  • Cor: Cinza/Preto
  • Tamanho: 18
  • Número Serial: wtu074c0691d
  • Bagageiro TOPEAK MTB Explorer; Adesivos de Cuba, Chile, Argentina, Caminho da Fé.
  • TREK 3500
  • Ano: 2011
  • Cor: Cinza Chumbo
  • Tamanho: 16
  • Detalhes em vermelho; Pezinho de apoio; Manetes de freios invertidos, atrás freia na frente e na frente freia atrás (veio da Nova Zelândia)

Se você souber do paradeiro e me contar, serei eternamente grato.

Abraços!

Andar de bicicleta em São Paulo

Fiz um video mostrando como pedalo por São Paulo. No dia 26/08/2011 (sexta-feira) gravei o trajeto que faço pelas manhãs para ir trabalhar, saio da Av. Indianópolis na ZS. e vou até o Parque Antártica na ZO. em um trajeto de aproximadamente 14km (ida).

É impressionante a quantidade de carros (que custam 10x, 20x mais que uma bike) são deixados para trás criando enormes congestionamentos, gastando combustível e poluindo nossa cidade.

Definitivamente após fazer esse vídeo ví que faço bastante coisa errada e tenho muito a melhorar, sendo assim posso não ser o melhor ciclista para dar dicas de commuting, mas resolvi fazer esse post para compartilhar algumas premissas que eu SEMPRE respeito enquanto pedalo nessa megalópole e que provavelmente fizeram com que desde 2008 (quando comecei a pedalar) eu nunca tenha sofrido um único acidente.

1) Eu nunca ando espremido no canto direito da via! Essa é definitivamente a dica mais importante. Pedalar na cidade é como uma dança em que o Ciclista é quem conduz. Faça com que você seja visto, imponha respeito e ande no meio da faixa da direita para ter espaço de reação e conforto. Você é um veículo como qualquer outro e deve por lei ser respeitado!

2) No farol, eu fico o máximo que posso à frente dos veículos. Quando o farol abre é a hora em que os veículos disputam posição e você não vai querer estar no meio deles. Vá para além da faixa do pedestre (respeitando sempre o espaço deles), tenha espaço para você sair antes de todos para que eles possam desviar, não disputar com você.

3) Eu sempre uso capacete Ele me protege do sol, deixa minha cabeça ventilada e em caso de uma queda pode fazer toda a diferença.

4) Não uso óculos de sol e sempre utilizo roupas claras. Acho muito importante manter o contato olho a olho com os motoristas, um olhar pode trazer um entendimento essencial sobre a atitude que cada um vai tomar.

5) Antes de entrar no corredor, sempre olho para ver se não estão vindo motos.

6) Sempre utilizo minhas mãos para demonstrar aos motoristas o que vou fazer. O bração para a direita e para a esquerda não deixa dúvidas nos motoristas quanto a sua atitude.

7) Eu acredito que nenhum motorista vai passar propositalmente em cima de um ciclista. A menos que você esteja lidando com uma pessoa mentalmente doente, poucas pessoas vão propositalmente colidir com você. Por isso friso a dica nr 1, FAÇA-SE SER VISTO!

8 ) Pedalo o mais estavel possível, sem viradas bruscas e movimentos inesperados. Demonstro clareza sobre as minhas atitudes para os outros motoristas

9) Calçada e farol vermelho em último caso e com muita prudencia. Não tem como, sempre vai ter uma hora que você não vai conseguir passar pelos carros e disputar largada com os outros motoristas me sinto muito inseguro. Essas são as horas que eu vou para a calçada e passo os outros carros. Já passar no farol vermelho, só quando não há pedestres e é garantido que não esta vindo nenhum carro. Na dúvida eu não passo.

10) Sempre dou bom dia para outros ciclistas. Educação e contato com outras pessoas faz muito bem para o dia a dia

Segue o vídeo (a data da máquina estava errada!):